viernes, 18 de abril de 2025

XVII POESÍA SALVAXE DE FERROL 2025

17 anos consecutivos  de poesía 
17 sen interrupción ca PALAVRA ENCARNADA  
Cartaz obra do artista MANOLO SIERRA
CARTAZ obra do artista BRUNO L. TEIXEIRO


miércoles, 4 de septiembre de 2024

meu amigo, Alzado na ruina

Meu amigo
O poeta verdadeiro
Alzado das ruinas
Amigo meu

Considerábamos,en aquellos días, que he nombrado como los luminosos tiempos oscuros, que conspirar era un oficio como vivir, y así entre las alegrías y las tristezas, levantábamos los días uno a uno, los días venían con las noches bajo el brazo, y habitamos desde muy temprano, el tiempo.
Había una calleja siempre acurrucada para esquivar la penuria, y al fondo de esas noches en ascuas, siempre un farolito, encendido y abierto, al cual llegábamos desde un largo adiós inconsumible como los poemas que dibujamos en servilletas que se perdían entre las labores de los amores compartidos.
La radiante penuria jamás nos impidió, al contrario, nos agasajaba con prodigiosos festines en los cuales dejábamos las risas y las penas en los puros huesos.
Ahora es Miguel, el que llegando a la Aldea alada del corazón, deja la puerta abierta de la cocina donde Andres, Fernando, Pinho, Hoss, Miguelito, Gvich, Pedro, Pipe, Manolo, Nacho, Agustin, Piquero, Robert, Pablo...avivan las pérdidas, y no dejan de hacernos jugarretas con los recuerdos, y con un golpe de dados, nos convocan.

viernes, 16 de agosto de 2024

O Sentimento dum Ocidental, de CESARIO VERDE

  O Sentimento dum Ocidental

I Avé-Maria Nas nossas ruas, ao anoitecer, Há tal soturnidade, há tal melancolia, Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia Despertam-me um desejo absurdo de sofrer. O céu parece baixo e de neblina, O gás extravasado enjoa-me, perturba; E os edifícios, com as chaminés, e a turba Toldam-se duma cor monótona e londrina. Batem carros de aluguer, ao fundo, Levando à via-férrea os que se vão. Felizes! Ocorrem-me em revista, exposições, países: Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo! Semelham-se a gaiolas, com viveiros, As edificações somente emadeiradas: Como morcegos, ao cair das badaladas, Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros. Voltam os calafates, aos magotes, De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos; Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos, Ou erro pelos cais a que se atracam botes. E evoco, então, as crónicas navais: Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado! Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado! Singram soberbas naus que eu não verei jamais! E o fim da tarde inspira-me; e incomoda! De um couraçado inglês vogam os escaleres; E em terra num tinir de louças e talheres Flamejam, ao jantar alguns hotéis da moda. Num trem de praça arengam dois dentistas; Um trôpego arlequim braceja numas andas; Os querubins do lar flutuam nas varandas; Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas! Vazam-se os arsenais e as oficinas; Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras; E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras, Correndo com firmeza, assomam as varinas. Vêm sacudindo as ancas opulentas! Seus troncos varonis recordam-me pilastras; E algumas, à cabeça, embalam nas canastras Os filhos que depois naufragam nas tormentas. Descalças! Nas descargas de carvão, Desde manhã à noite, a bordo das fragatas; E apinham-se num bairro aonde miam gatas, E o peixe podre gera os focos de infecção! II Noite Fechada Toca-se às grades, nas cadeias. Som Que mortifica e deixa umas loucuras mansas! O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças, Bem raramente encerra uma mulher de <<dom>>! E eu desconfio, até, de um aneurisma Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes; À vista das prisões, da velha Sé, das Cruzes, Chora-me o coração que se enche e que se abisma. A espaços, iluminam-se os andares, E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos Alastram em lençol os seus reflexos brancos; E a Lua lembra o circo e os jogos malabares. Duas igrejas, num saudoso largo, Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero: Nelas esfumo um ermo inquisidor severo, Assim que pela História eu me aventuro e alargo. Na parte que abateu no terremoto, Muram-me as construções rectas, iguais, crescidas; Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas, E os sinos dum tanger monástico e devoto. Mas, num recinto público e vulgar, Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras, Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras, Um épico doutrora ascende, num pilar! E eu sonho o Cólera, imagino a Febre, Nesta acumulação de corpos enfezados; Sombrios e espectrais recolhem os soldados; Inflama-se um palácio em face de um casebre. Partem patrulhas de cavalaria Dos arcos dos quartéis que foram já conventos: Idade Média! A pé, outras, a passos lentos, Derramam-se por toda a capital, que esfria. Triste cidade! Eu temo que me avives Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes, Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes, Curvadas a sorrir às montras dos ourives. E mais: as costureiras, as floristas Descem dos magasins, causam-me sobressaltos; Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos E muitas delas são comparsas ou coristas. E eu, de luneta de uma lente só, Eu acho sempre assunto a quadros revoltados: Entro na brasserie; às mesas de emigrados, Ao riso e à crua luz joga-se o dominó. III Ao gás E saio. A noite pesa, esmaga. Nos Passeios de lajedo arrastam-se as impuras. Ó moles hospitais! Sai das embocaduras Um sopro que arripia os ombros quase nus. Cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso Ver círios laterais, ver filas de capelas, Com santos e fiéis, andores, ramos, velas, Em uma catedral de um comprimento imenso. As burguesinhas do Catolicismo Resvalam pelo chão minado pelos canos; E lembram-me, ao chorar doente dos pianos, As freiras que os jejuns matavam de histerismo. Num cutileiro, de avental, ao torno, Um forjador maneja um malho, rubramente; E de uma padaria exala-se, inda quente, Um cheiro salutar e honesto a pão no forno. E eu que medito um livro que exacerbe, Quisera que o real e a análise mo dessem; Casas de confecções e modas resplandecem; Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe. Longas descidas! Não poder pintar Com versos magistrais, salubres e sinceros, A esguia difusão dos vossos reverberos, E a vossa palidez romântica e lunar! Que grande cobra, a lúbrica pessoa, Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo! Sua excelência atrai, magnética, entre luxo, Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa. E aquela velha, de bandós! Por vezes, A sua trai^ne imita um leque antigo, aberto, Nas barras verticais, a duas tintas. Perto, Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses. Desdobram-se tecidos estrangeiros; Plantas ornamentais secam nos mostradores; Flocos de pós-de-arroz pairam sufocadores, E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros. Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco; Da solidão regouga um cauteleiro rouco; Tornam-se mausoléus as armações fulgentes. <<Dó da miséria!... Compaixão de mim!...>> E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso, Pede-me esmola um homenzinho idoso, Meu velho professor nas aulas de Latim! III Horas mortas O tecto fundo de oxigénio, de ar, Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras; Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras, Enleva-me a quimera azul de transmigrar. Por baixo, que portões! Que arruamentos! Um parafuso cai nas lajes, às escuras: Colocam-se taipais, rangem as fechaduras, E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos. E eu sigo, como as linhas de uma pauta A dupla correnteza augusta das fachadas; Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas, As notas pastoris de uma longínqua flauta. Se eu não morresse, nunca! E eternamente Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas! Esqueço-me a prever castíssimas esposas, Que aninhem em mansões de vidro transparente! Ó nossos filhoes! Que de sonhos ágeis, Pousando, vos trarão a nitidez às vidas! Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas, Numas habitações translúcidas e frágeis. Ah! Como a raça ruiva do porvir, E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes, Nós vamos explorar todos os continentes E pelas vastidões aquáticas seguir! Mas se vivemos, os emparedados, Sem árvores, no vale escuro das muralhas!... Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas E os gritos de socorro ouvir, estrangulados. E nestes nebulosos corredores Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas; Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas, Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores. Eu não receio, todavia, os roubos; Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes; E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes, Amareladamente, os cães parecem lobos. E os guardas, que revistam as escadas, Caminham de lanterna e servem de chaveiros; Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros, Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas. E, enorme, nesta massa irregular De prédios sepulcrais, com dimensões de montes, A Dor humana busca os amplos horizontes, E tem marés, de fel, como um sinistro mar! Cesário Verde

miércoles, 7 de agosto de 2024

TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM , de Zeca Afonso

 Porque hoje o dia é dele. Zeca Afonso faria hoje 95 anos se fosse vivo.



TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM 


Amigo

Maior que o pensamento

Por essa estrada amigo vem

Não percas tempo que o vento

É meu amigo também


Em terras

Em todas as fronteiras

Seja benvindo quem vier por bem

Se alguém houver que não queira

Trá-lo contigo também


Aqueles

Aqueles que ficaram

(Em toda a parte todo o mundo tem)

Em sonhos me visitaram

Traz outro amigo também


Zeca Afonso

martes, 2 de julio de 2024

Fausto (26 de novembro de 1948 – 1 de julio de 2024) | Olhaparo

Fausto (26 de novembro de 1948 – 1 de julio de 2024) | Olhaparo


Fausto (26 de novembro de 1948 – 1 de julio de 2024)

by 

Faleceu Fausto Bordalo Dias um dos nomes notáveis da música portuguesa, o compositor e cantor com uma carreira de mais de 5 décadas, criador de moitas das mais belas canções portuguesas ao longo de toda a sua carreira artística. Voz de Abril e autor do álbum “Por Este Rio Acima”, considerado um dos melhores da história da música portuguesa, morreu esta segunda-feira. Tinha 75 anos e foram muitas as lutas em que o Fausto se empenhou.Estreou-se  com a edição de um álbum homónimo em 1970, embora o próprio preferisse entender “P’ro Que Der e Vier”, edição da Orfeu datada de 1974, como o arranque oficial da sua discografia. Lançou trabalhos marcantes  como “Madrugada dos Trapeiros”, de 1977, “Histórias de Viageiros”, em 1979, e, sobretodo, o incontornável “Por Este Rio Acima”, trabalho de 1984. “O barco do povo sai triunfante se o povo for sempre o seu comandante”.

O cantor fez raras apresentações ao vivo nos anos derradeiros da sua carreira, como o concerto retrospectivo “Atrás dos Tempos Vêm Temos” que teve lugar no CCB em 2021 ou a mais recente revisitação de “Por Este Rio Acima”, na Aula Magna.

lunes, 13 de mayo de 2024

Diario de trabajo: poesía temprana y prosa

Diario de trabajo: poesía temprana y prosa

la tentación llama
en espacios prohibidos
en lugares oscuros
demasiado tarde
el miedo a los látigos inciertos
pero el sueño de vivir es fuerte
un vistazo rápido
un toque ligero
luego besar violentamente
no seas tierno
que lindo ese temblor
que tan lejos el mundo
y cerca de lo extraño
cuerpos aturdidos unos sobre otros
Cara sonrojada
amor en los dias de invierno

domingo, 8 de octubre de 2023

El espantapájarosm un poema de Ida Gramcko

 El espantapájaros

Nunca amaste los pájaros. Es cierto.
Ni los niños que huyeron de tu sombra
¡crucifijo del hombre contra el cielo!
Se deshizo la ronda
en el jardín; volaron los insectos;
después, las mariposas…
Sólo quedó, en la soledad, tu espectro,
y un niño sólo en la pradera sola,
inválido y sediento.
Lejos de ti, volaron las palomas,
y la ronda infantil en otro huerto
levantó sus columpios, sus coronas…
Sólo permanecieron los almendros
abrieron sus corolas
glaciales como témpanos.
¡No podían volar! Y las bellotas,
los manzanos en flor y el limonero.
Pasaban, fugitivas, las alondras.
¡Pudiste detenerlas en su vuelo!
Pasaron golondrinas y gaviotas,
y mirlos y jilgueros,
y enamoradas tórtolas…
Y maduró tu fruto en el silencio;
en el silencio, sonrosadas pomas,
labios mudos, se abrieron.
Pero hoy el viento sacudió las hojas,
dispersó las semillas y los pétalos
y el pezón de los árboles se agota
en exhausto racimo amarillento.
¡No veles ya! Se marchitó la fronda.
¡Despídete del cerco!
En una alegre emanación sonora,
la infancia, en ronda florecida, ha vuelto.
Los pájaros celebran su victoria
picoteando tus restos:
tu pecho de aserrín, tu sien de estopa,
la hilacha sin color de tus cabellos.
Te sostiene una estaca melancólica
como al retrato de un payaso muerto.
¡Oh trágica derrota;
oh racimo de harapos verdinegros;
oh maniquí del campo que sollozas
mirando el alto nido y el alero,
hermano del fantasma, de la escoba,
del ciprés y del cuervo!
Hermano mío… ¡llora!
Llora conmigo sobre el campo yermo.
y aprende a amar los pájaros… ¡Que te oigan
cantar los niños y te escuche el viento!
Como un ángel caído al que perdona
la mano celestial, sube hasta el cielo.
¡Que se levante un ala milagrosa
en cada uno de tus hombros, quiero!
¡Que emprendas en tu muerte, que es tu aurora,
el viaje azul al paraíso eterno
en donde un niño solitario toma
gajos de luz que no consume el tiempo
a un árbol sin otoño y sin carcoma!
El niño aquél, inválido y sediento.

miércoles, 12 de abril de 2023

A Semana de Poesía Salvaxe de Ferrol despídese após 15 anos de actividade

A Semana de Poesía Salvaxe de Ferrol despídese após 15 anos de actividade

A Semana de Poesía Salvaxe de Ferrol despídese após 15 anos de actividade

A organización denuncia falta de apoio do Concello.


photo_cameraManuel Rivas e Eugenia Sanmartínna edición de 'Poesía Salvaxe' de 2019.

A Semana de Poesía Salvaxe-A Palabra Encarnada, logo de quince anos izando Ferrol de palabras e música, anuncia a súa despedida, logo de que o Concello de Ferrol non colabore na cita, igual que o pasado ano. Os organizadores anuncian que terán que rematar esta edición "cun micro crowfunding para tratar de facer algo digno e ter un final decoroso". 

Esta cita naceu en 2008 conducida por Guillermo Ferrández e Juan C. Valle 'Karloti'  baixo o impulso da Concellería de Cultura que entón dirixía a actual ministra de Traballo, Yolanda Díaz. "Pero o actual equipo de Goberno do Concello de Ferrol, co alcalde Ángel Mato e o concelleiro de Cultura á cabeza, amosando un cru desprezo nin contestou ás peticións e solicitudes que se lles fixo desde a organización do ciclo poético para colaborar (ou non) nesta cita que ocupaba o espazo literario do que a cidade carece", afirman desde a organización. 

Petición de apoio

En todo caso, o festival fará "con paixón e determinación" un último esforzo para despedir un festival polo que xa pasaron poetas como Manuel Rivas, Olga NovoMaría do Cebreiro, Manolo Cortés, Xiana Arias ou Emma Couceiro, entre outros. 

"Os días 27, 28 e 29 de abril", engaden, "será realidade o encontro poético grazas  á colaboración, polo de agora, da asociación veciña de Canido, o Cento cívico de Canido, a Fundaçom Artabria, o Ateneo Ferrolán e a asociación cultural Fuco Buxán.  

Os organizadores do evento, fan "unha afervoada petición" de apoio económico e anímico, recollendo sinaturas e encomendándose, nesta derradeira cita, á xenerosidade popular. Os cartos destinaranse a pagar hotel, viaxe e os gastos que xurdan. "Faremos realidade este XV encontro ca poesía como arma de construción masiva" remata o comunicado que fixeron público. 

lunes, 27 de febrero de 2023

Seis textos de «La herida primordial» de Alejandra Lerma

Seis textos de «La herida primordial» de Alejandra Lerma | Revista Aullido.

 .a Mauricio Balanta, que ha vivido en este poema.
.
.
.
De este lado del mundo nadie duerme
llevamos siempre un ojo abierto
por si la muerte se atraviesa
.
De este lado del mundo nadie come
la boca está medio llena, medio vacía
siempre hay alguien con más hambre
a quien regalarle el pan
.
De este lado del mundo nadie descansa
entre el cemento, entre el polvo
entre las horas que nunca acaban
.
De este lado del mundo nadie calla
siempre se escucha un llanto
un canto, una carcajada
un grito, un alarido, un trueno
.
De esta lado del mundo nada es quieto
ni el agua reposada, ni los cuerpos sedientos
ni los bares cerrados, ni las casas caídas
ni el cementerio viejo
.
De este lado del mundo está mi casa
que aunque es tibia por dentro, sangra afuera
.
De este lado del mundo, mis amigos
las mujeres que amo
los hombres que me pierden,
las manos de mi abuela y mi vientre sellado
.
De este lado del mundo nadie vive
hacinación volcánica en colores
.
Aquí sobrevivimos
Tomamos aire atrancándonos las vértebras
como peces deformes en un pantano oscuro
.
Nadie me preguntó nunca, si yo quería
sólo es el lado del mundo que me ha tocado
la dimensión que otorga el santo azar
la mano blanca que bendice la muchedumbre hirviente
.
De este lado del mundo ya no hay nada
todo se lo llevó un disparo,
un barco rebosante de oro,
una firma dorada sentenció las selvas
.
Un yanqui, un europeo
una igual que nosotras que vendió su belleza
una oración de hombre que nos mató las diosas
.
Un contrato de fuego sin cenizas ni rastro
un hermano del norte
de otro lado del mundo que no conoce este
.
De este lado del mundo está mi tinta
este dolor sin término que se estalla en palabras
esta agonía tan coja
la repulsión tan honda, este miedo macabro
esta rabia tan roja
este odio que no me cabe más
.
Este lado del mundo que es mi mundo
insoportable y bello
como nada más puede serlo
es un lado terrible
.
Olvidado por todos, padecido por todas
.
Es un lado del mundo que se cae a pedazos
en el que siempre escribo para no derrumbarme.
.

lunes, 20 de febrero de 2023

Elegia rota a Rafael Pillado, amigo, mestre, compañeiro e camarada


Yo no me río de la muerte. 

Sin embargo conozco su 

blanca casa, conozco su 

blanca vestimenta, conozco 

su humedad y su silencio. 

Claro está, la muerte no 

me ha visitado todavía, 

y uds. preguntarán: ¿qué 

conoces? No conozco nada. 

JAVIER HERAUD 

“Jamás os dire ADIOS, a vuestra cita no faltare” 



Es impagable este día eterno sin cielos troquelados 

de una “fe adorable que el destino blasfema” 

sin un solo dios verdadero 

y sin las jaculatorias del miedo y la amargura 

Una bandada roja de manos clandestinas 

acompaña esta firme tristeza 

sin embargo también ondean manteles blancos 

de abrazos comestible 

Hoy 

un sueño que no duerme 

se posa con toda la fatiga del mundo 

en los ojos desorbitados de escuchar 

como cedes la vida 

su sonido de semilla 

con el peso justo 

la indomable sabiduría 

por ejemplo, de amar de pie 

sin concesiones 

Hoy la ciudad tiene los pies fríos y toda ella es una roja periferia donde nadie pide limosna 

ni súplica una vigilia de avemarias y trompetas 

no obstante 

hay una cosecha en el aire 

de propicias primaveras

que nos obliga a estibar este urgente dolor 

Hoy 

las grúas y las calles se abrazan 

hasta hacer del dolor sal gruesa 

y un desamparo de ventanas congeladas 

alcanza a los relojes 

ahora boquiabiertos 

Hoy 

hasta las piedras 

cancelan su silencio 

y un monólogo atroz desciende hasta la orilla 

anegando lo que queda de este día sin huesos 

Hasta los mercachifles han cerrado 

sus almacenes de promesas 

y abre el mar su magnífica cosecha 

de soles maduros y naufragios 

y no por decreto ayuna el crepúsculo 

un hoy sin prisa 

y plagia tu nombre 

la memoria de los árboles. 

Un silencio pulido de espejos 

multiplica hasta no decir basta 

una orfandad que hereda 

tu terco y fiel apego 

al género humano 

Hoy la mentira se dobla y se avergüenza 

y da la espalda a la voz de su amo y compungida 

se esconde 

en los trasteros de la piedad 

La luz nos parte en dos el pan

mientras crepita a la puerta del horno y nos ensalza 

Vallejo dijo que hay golpes en la vida tan fuertes 

que todo lo vivido se empoza en el alma 

y por un momento sin palabras 

cruzamos el país de tu ausencia 

y ya estas aqui denuevo 

las risas de los niños son flores 

en los corazones que se alzan humildes 

altivos 

rimando sus latidos 

con todas las convocatorias que nos dejas en las calles 

una vez más abiertas 

a las músicas de todos los pasos 

tantanes encendidos de coraje de rabia y de inocencia 

Amigo compañero Rafael camarada de madrugadas entregadas en mano de una en una 

sin la menor duda 

fundiremos toda esta tornillería de la muerte 

y su letal papiroflexia de amianto 

Maldita sea la externalización de la miseria 

y su pulcro negocio de chatarra 

Nosotros somos del aire libre libres 

y nos gusta soñar despiertos 

para que sigas vivo en cada grito de resistencia y risa 

que demos sin descanso. 

Que daria yo por tener todos los versos libres 

y las palabras recien traidas del silencio 

para así poder estar a la altura del rojo emblema de los hechos la mismísima vida rimando con noches y con días 

mientras arde el olvido en tu memoria 

Y así con todo el presente por delante 

de un solo tajo 

acabo con esta poesía que nos tiembla.




4