jueves, 5 de febrero de 2009

Leire Bilbao, voz de desdoblada luminosidad


Pide-lhe um conto

Pide-lhe um conto ao mar

—dixo-me—

pide-lhe para te contar a história dalgum marinheiro

que guarda como um tesouro

tem melhor memória do que eu


pide-lhe um comto ao rio

é ele quem leva ao mar as notícias do labrego

vai-te relatar histórias da terra

ainda que haxa palabras ancoradas nos meandros


senom, pide-lhe um conto ao regueiro

ele vai a trazer-te, xunto ás pedras, lendas do monte

cuidas que calam

mas é que falam baixinho


a mim

a mim nom me pidas histórias

—murmurou me—

tudo o esqueço


nom quero lembrar aquilo que fixem

© Leire Bilbao




Sangro II

Mancho de sangre las puntas de mis dedos

y los llevo dubitativamente, a la boca.

Esta sangre que mi cuerpo no desea

no sabe amargo.

Me duelen las mamas

como si pidieran labios.

No quiero los tuyos

de nadie los quiero

los guardo solo para mí.

Late mi cuerpo pidiendo respuestas

y poso una mano sobre el pecho.

Me preguntas porqué a veces entiendo

mejor a una leona que a tí,

Ahora ya sabes, cuando me laten los pechos

porqué no te los dejo tocar

por qué los guardo solo para mí.

© Leire Bilbao

www.susa-literatura.com

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